Chat online

Motoristas de ambulâncias: heróis em extinção

envie para um amigo imprimir    Compartilhar Facebook

Publiquei no final de 2016 um post sobre as condições de trabalho de motoristas de ambulância. Hoje, quando retorno de férias, volto à categoria, especificamente sobre os condutores do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), provido pelos estados.

Neste blog, pesquisadores na área de prevenção de doenças e acidentes têm todo nosso respeito. A ciência é a base para a solução de problemas reais envolvendo os humanos que trabalham. Assim, vale divulgar e analisar o estudo de Francinaldo do Monte, professor de psicologia do trabalho. Pela pesquisa, Monte pôde concluir que, apesar das condições precárias de trabalho, motoristas do SAMU sentem-se recompensados porque ajudam a salvar vidas em seu labor diário. Bem, num mundo onde a grande maioria das pessoas só se preocupa com o próprio umbigo e que é excessivamente competitiva, soa como bálsamo a conclusão da pesquisa. Quer dizer, a raça humana ainda pode não ser extinta no planeta. Mas, não é pelo espírito solidário que os condutores de ambulância não sentem os efeitos da péssima conservação dos veículos, da falta de fiscalização, dos plantões excessivos e de contaminação biológica e acidentes. Nesse contexto de trabalho, o condutor vive exposto ao adoecimento. Mas Monte foi estudar essa categoria profissional para entender como é possível lidar com tantas situações adversas e ainda sentir-se agradecido com a atividade. Seriam eles masoquistas? Vamos ver.

O pesquisador desenvolveu o tema sob a ótica da ergologia, que estuda a atividade humana no trabalho em todas as dimensões. Monte entrevistou condutores do SAMU de uma cidade da Paraíba, além de acompanhar algumas ocorrências. Perguntou e quis saber por que para eles era importante salvar uma vida. No momento em que se vai atender uma ocorrência envolvendo um paciente em estado grave, o que leva o condutor da ambulância a mobilizar-se para ajudá-lo? Quais eram os valores morais dessa categoria? Conscientes das dificuldades pelas péssimas condições de trabalhos, os motoristas consideram um dia ruim quando, por exemplo, não há viatura para atender a população. Afinal, um veículo quebrado significa não poder atender cerca de 100 mil habitantes. João, um motorista entrevistado, disse que depois de uma situação de emergência com um paciente, bate no próprio ombro e sente-se satisfeito, pois “fiz minha parte”.

Segundo Monte, foi possível, com as respostas, perceber a ideia de viver que se aproxima do ser herói. “É uma profissão em que a capacidade do trabalhador vai além do que é exigido pela função”, explica. Para ele, nessa atividade profissional o sofrimento sempre vai haver, mas a capacidade do ser humano de superar as adversidades ficou evidenciada, especialmente quando a solidariedade e confiança permanecem como valores morais importantes. O que dizer das conclusões de Monte? Amém!

Por Emylia Sobral

SIGA O GUIA DA EPI: Facebook Twitter Youtube Blog Orkut Flickr Empreendemia