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Motoristas de ambulâncias: heróis em extinção

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Publiquei no final de 2016 um post sobre as condições de trabalho de motoristas de ambulância. Hoje, quando retorno de férias, volto à categoria, especificamente sobre os condutores do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), provido pelos estados.

Neste blog, pesquisadores na área de prevenção de doenças e acidentes têm todo nosso respeito. A ciência é a base para a solução de problemas reais envolvendo os humanos que trabalham. Assim, vale divulgar e analisar o estudo de Francinaldo do Monte, professor de psicologia do trabalho. Pela pesquisa, Monte pôde concluir que, apesar das condições precárias de trabalho, motoristas do SAMU sentem-se recompensados porque ajudam a salvar vidas em seu labor diário. Bem, num mundo onde a grande maioria das pessoas só se preocupa com o próprio umbigo e que é excessivamente competitiva, soa como bálsamo a conclusão da pesquisa. Quer dizer, a raça humana ainda pode não ser extinta no planeta. Mas, não é pelo espírito solidário que os condutores de ambulância não sentem os efeitos da péssima conservação dos veículos, da falta de fiscalização, dos plantões excessivos e de contaminação biológica e acidentes. Nesse contexto de trabalho, o condutor vive exposto ao adoecimento. Mas Monte foi estudar essa categoria profissional para entender como é possível lidar com tantas situações adversas e ainda sentir-se agradecido com a atividade. Seriam eles masoquistas? Vamos ver.

O pesquisador desenvolveu o tema sob a ótica da ergologia, que estuda a atividade humana no trabalho em todas as dimensões. Monte entrevistou condutores do SAMU de uma cidade da Paraíba, além de acompanhar algumas ocorrências. Perguntou e quis saber por que para eles era importante salvar uma vida. No momento em que se vai atender uma ocorrência envolvendo um paciente em estado grave, o que leva o condutor da ambulância a mobilizar-se para ajudá-lo? Quais eram os valores morais dessa categoria? Conscientes das dificuldades pelas péssimas condições de trabalhos, os motoristas consideram um dia ruim quando, por exemplo, não há viatura para atender a população. Afinal, um veículo quebrado significa não poder atender cerca de 100 mil habitantes. João, um motorista entrevistado, disse que depois de uma situação de emergência com um paciente, bate no próprio ombro e sente-se satisfeito, pois “fiz minha parte”.

Segundo Monte, foi possível, com as respostas, perceber a ideia de viver que se aproxima do ser herói. “É uma profissão em que a capacidade do trabalhador vai além do que é exigido pela função”, explica. Para ele, nessa atividade profissional o sofrimento sempre vai haver, mas a capacidade do ser humano de superar as adversidades ficou evidenciada, especialmente quando a solidariedade e confiança permanecem como valores morais importantes. O que dizer das conclusões de Monte? Amém!

Por Emylia Sobral

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